segunda-feira, 30 de maio de 2011

Blog do Paulo Cleto

Quando eu cheguei à ESPN hoje de manhã vi em um dos monitores da sala que a ESPN BRASIL transmitiria a partida entre o Fabio Fognini e o Albert Montanes. Virei para o Romulo, meu companheiro de transmissão, e previ – isso aí vai longe. Foi!

Também não precisa ser nenhum Bidu para saber. Bastava conhecer um pouco o estilo do Fognini. Ou só lembrar a partida do ano passado quando o “empurrador” italiano encontrou o “empurrador” francês Gael Monfils na mesma quadra. Demoraram dois dias para sair.

Naquela ocasião aconteceu de tudo um pouco, inclusive uma daquelas bobagens que os árbitros fazem ao deixarem rolar o jogo para ver se acaba, mesmo que a luz ambiente esteja pior do que a de um inferninho de quinta categoria. Um dos vídeos abaixo mostra as condições que os dois jogaram antes que interrompessem a partida.

Voltaram no dia seguinte e o italiano venceu a partida por 9/7 no quinto set após um sem numero de horas. Com isso, o rapaz adquiriu um know-how interessante, apesar de uso restrito. Pois não é que logo no ano seguinte o Buster Keaton da Cinecittá tem uma nova e idêntica oportunidade?!

Desta vez a partida foi até um pouquinho mais longa – 11/9 no quinto. Se no ano passado o jogo foi emocionante pelo suspense e o conflito de jogar com um tenista da casa, com a torcida contra, e a duvida se a partida terminaria ou não, com o publico apupando a cada vez que se fazia menção de suspender o jogo, hoje o drama foi outro.
Fabio começou a ter cãimbras e a dar sinal de que não conseguiria terminar o jogo. Todas as nuanças do que aconteceu no quinto set são impossíveis de transmitir aqui e não irei nem tentar. Só posso dizer que o Fognini às vezes está mais um Mastroiani do que um Panatta.

Em 6/7 15/30 o italiano, sem conseguir andar por conta das cãibras, parou o jogo para ser atendido. Voltou e ganhou o game. No 7/8 teve 2 match points contra e jogou como se não tivesse mais absolutamente nada a perder. Não perdeu o game.

Sem poder correr, sacava meio movimento e encurtava os pontos com bolas do estilo ou vai ou racha. Em 8/9 ele teve mais três match-points salvos nessa maneira. Nos intervalos recebia massagens milagrosas.

Vale lembrar que as regras atuais não permitem que o tenista receba tratamento por conta de cãibras. Por conta disso, só ele e a juíza, sim, era uma mulher, sabem o que foi dito para ele continuar recebendo vários tratamentos por algo que ficou bem claro que eram câimbras. Foi a mesma percepção que teve o publico, que vaiou o italiano, e também o adversário, que lhe deu um aperto de mãos dos mais gelados.

À parte disso, o jogo foi emocionante, cheio de suspense e drama e manteve todos na beira das cadeiras até o fim com a pergunta: será que o cara vai ganhar? De algum jeito ele ganhou. Ou, sinto em dizer, de algum jeito o espanhol perdeu.

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