domingo, 31 de julho de 2011


Dois milhões por doze meses

qui, 28/07/11por Alexandre Cossenza |categoria Brasucas, CBT, Guga

Enfim, sai do papel um dos sonhos mais antigos do tênis brasileiro: uma equipe nacional, treinando em conjunto, coordenada por um grande treinador e supervisionada por uma pessoa de talento e reputação inquestionáveis. Larri Passos e Gustavo Kuerten são os dois nomes que orientarão talvez o projeto mais ambicioso da história brasileira: comandar e promover a evolução de um grupo de 14 jogadores. Para isso, a Confederação Brasileira de Tênis terá pouco mais de R$ 2 milhões – verba aprovada pelo ministro do Esporte e liberada provavelmente na próxima segunda-feira.

O nome oficial é Projeto Olímpico de Tênis Rio 2016. Para o Ministério do Esporte, as Olimpíadas são o grande objetivo. Não podemos, no entanto, confundir as coisas. O projeto é anual. Ou seja, os R$ 2 milhões (mais precisamente R$ 2.018.865,30) deverão ser usados em doze meses – de agosto de 2011 a julho de 2012. Durante o período, a CBT faz ajustes, mostra resultados, apresenta novos projetos (na verdade, versões do mesmo projeto com as adaptações necessárias) e renova o benefício. Segundo o ministro Orlando Silva, a ideia é que o projeto exista até pelo menos 2016. O que é muito bom para o tênis brasileiro.

Conversei por telefone na tarde desta quinta com Jorge Lacerda, presidente da CBT, e ele me explicou um pouco melhor o funcionamento. Leia abaixo, com frases do dirigente.

Quem participará
A ideia é atender, de início, 14 jogadores que estão sendo definidos com Guga, Larri, Patricio Arnold e João Zwetsch. Eles vão trabalhar com alguns jogadores já do profissional, muitos jogadores entre 17 e 23 anos, e alguns mais novos, como a Bia (Haddad Maia), que tem 15, e mais uns dois, três meninos que têm entre 13 e 14 anos, mas vamos focar principalmente dos 17 aos 23 anos.

Quando será o anúncio
O Guga pediu 14, 15 dias para anunciar todos os nomes. Quase todos já estão contactados, aí é ver quem aceita participar. Depois, mais uns dez dias, a gente vai anunciar tudo. O medo é, de repente, dizer que vai o João da Silva, e não sei por que o João da Silva não quer participar. Pode acontecer isso. Aí anuncia o João da Silva, ele não vai, cria outra polêmica. Então vamos segurar, acertar com todos os caras que estão a fim.

A participação de Guga
Agora ele está captando a parte dele para a gente chegar a um número aproximado de 30 jogadores. A hora que ele captar tudo teremos de 26 a 30 jogadores. Ele está no grupo, vai continuar na coordenação geral, próximo ao Larri. É bem legal para o tênis ter todo mundo junto.

Ajustes anuais
O projeto é anual. Vamos renovando isso a todo ano. Vai depender muito dos resultados dos atletas e das escolhas técnicas deles. A gente vai dar total liberdade para o Guga, o Larri, o Patricio e o João. Eles decidem.

Benefícios
O projeto paga todos os treinadores, viagens de todos os jogadores, estrutura. Nós não vamos fazer reforma no local. Vamos usar a estrutura que tem. Quem (atletas) estiver com a gente, vai ter tudo. Não vai pagar nada.

Renovação
Em cinco, seis meses a gente vai sentar de novo com o ministério, ver o que está acertado do projeto, o que não está, se precisa aumentar alguma coisa, mudar alguma coisa e já vamos trabalhar. A ideia do ministro é que isso permaneça até 2016 no mínimo.

Doze meses
São milhões para usar em 12 meses seguidos. São 2 milhões e 18 mil. Aí renova esse projeto com algumas alterações e vamos tentar a cada ano crescer, mostrando os resultados. Acho que vai ser bem interessante isso aí. Chegamos num ponto agora em que a gente está conseguindo bancar um projeto com o Guga e o Larri.

Os melhores
Isso é um sonho nosso desde a época em que eu nem era presidente da Confederação. Ter os melhores trabalhando juntos na busca dos melhores jogadores. A gente foi aos poucos melhorando a credibilidade da entidade, a parte financeira, até que conseguimos chegar nesse ponto. A CBT agora possui um centro. Está sendo pago. O Larri hoje responde pelos resultados desse projeto. Temos outros, mas por este projeto específico os responsáveis técnicos são o Larri e o Guga. Eu achei legal porque o Guga foi muito claro nisso. “Agora, vocês podem cobrar da gente”. É isso aí. A gente vai trabalhar junto e eles vão buscar as metas dentro do que eles acreditam de como deve ser feito. Nós estamos confiando.

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