terça-feira, 30 de agosto de 2011


Larri fala sobre novo projeto da CBT e ressalta: 'Quem manda lá sou eu' Técnico lembra que verba recebida do Ministério do Esporte é por um ano e diz que precisará voltar a mendigar se contrato não for renovado em 2012 Por Alexandre Cossenza Direto de Nova York
Há cerca de um mês, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) anunciou a aprovação de um de seus projetos junto ao Ministério do Esporte. Segundo o texto, a entidade receberá pouco mais de R$ 2 milhões no período de um ano e a academia do técnico Larri Passos, em Camboriú (SC), seria convertida em centro de treinamento nacional.
O ex-técnico de Gustavo Kuerten não falou publicamente na época. Nesta semana, quando abordado sobre o assunto em Nova York, onde acompanha Thomaz Bellucci no US Open, Larri foi firme ao contrariar o texto enviado pela CBT. - Quando falaram "agora vai ser o centro da CBT", isso não existe. O centro é meu, Larri Passos. A hora que eu quiser, fecho aquilo lá e acabou. Quem manda lá sou eu - afirmou veementemente o gaúcho. Larri Passos, orgulhoso do terreno de sua academia. No lago, o treinador plantou uma palmeira para cada título de Gustavo Kuerten em Roland Garros (Foto: Alexandre Cossenza)O treinador foi bastante enfático ao dizer que o projeto da CBT será apenas uma continuidade do que ele vem fazendo por conta própria há três anos - desde que levou o juvenil Tiago Fernandes para Santa Catarina. Em janeiro do ano passado, o alagoano Fernandes, então com 17 anos, conquistou o título do Australian Open juvenil A CBT disse que seu projeto incluiria ajuda a 14 tenistas, e Larri reforça que vários destes nomes (80%, segundo ele) já estavam sob seu comando. Entre eles, o cearense Thiago Monteiro e a paulista Bia Haddad Mais. A entidade havia pedido duas semanas para anunciar os 14 nomes, mas ainda não o fez. - Vamos deixar bem claro. Os jogadores já treinam lá. Não muda nada. Apenas agora está se tornando oficial que o comitê olímpico vai ajudar os jogadores com a verba. Não muda nada. A parte técnica, a rotina, não muda absolutamente nada. O Larri, de escravo, passa a ser remunerado. Só isso. Já faço isso com minha causa há três anos. Quando vejo isto, só dou risada porque já está sendo feito há três anos - ressaltou o treinador. Blog Saque e Voleio: confira o áudio da entrevista com Larri Passos Larri também afirmou que nunca recebeu dinheiro dos jogadores treinados por ele. Nem de Marcos Daniel, que esteve entre os 60 melhores tenistas do mundo, nem de Tiago Fernandes nem de Thiago Monteiro. Rogério Dutra da Silva e Bia Haddad Maia, que se mudaram para Santa Catarina no ano passado, tiveram tratamento semelhante. - Nunca recebi um centavo de nenhum atleta lá dentro. Tiago Fernandes nunca pagou um centavo pra mim. Viajou comigo para a Ásia. Levei o Thiago Monteiro para os Estados Unidos. Pagava comida para ele de noite. Dormia comigo, no meu quarto. Isso aí chama-se trabalho em silêncio. Eu nunca quis divulgar. O treinador reconhece que os atletas serão beneficiados com o projeto. O auxílio financeiro também vale para Larri, que será compensado por seu trabalho. O gaúcho, no entanto, teme pela possibilidade da não renovação do projeto depois de um ano. - Agora eles vão ter ajuda para as viagens e tal. Agora, eu, dentro da minha estrutura, vou ter um pouquinho mais de tranquilidade. Vou ter menos gastrite. No fim do mês, não preciso tirar do meu bolso para pagar a luz elétrica. Só muda isso. Dá uma tranquilidade para saber que em um ano eu vou estar mais tranquilo. Só isso. Se daqui a um ano terminar, o que eu vou fazer? Vou fechar? Não, vou correr atrás de novo. De contribuições dos meus amigos, que me ajudam, compram uma esteira... vou continuar mendigando.

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