Vaga no US Open faz Feijão superar derrota frustrante em Roland Garros
Brasileiro disputará a chave principal de um Grand Slam pela primeira vez
Por Alexandre Cossenza
Direto de Nova York
Até a última quarta-feira, João Souza jamais havia vencido um set no US Open. Em três participações no qualifying, acumulou três derrotas por 2 a 0. O tenista de 23 anos, mais conhecido como Feijão, também jamais havia disputado a chave principal de um Grand Slam. Em três dias - e três vitórias depois -, tudo mudou. Feijão alcançou um de seus sonhos e estará entre os 128 estreantes do principal torneio americano.
Feijão para para fotos e autógrafos depois da última vitória no quali do US Open (Foto: Alexandre Cossenza)A conquista em Nova York é a segunda em pouco tempo para Feijão. Até o começo de agosto, o jovem brasileiro estava fora do top 100, precisando disputar qualifyings para entrar em chaves de modestos ATPs 250. O primeiro feio veio em Kitzbuhel, na Áustria, onde Feijão furou o quali e avançou até a semifinal. A campanha rendeu sua entrada no top 100 e a consequente vaga como principal cabeça de chave do torneio seletivo do US Open.
Ao sair da quadra nesta sexta-feira, após derrotar o belga David Goffin por duplo 7/5, Feijão só conseguia sorrir. Tirou muitas fotos com novos e antigos fãs, deu autógrafos e manteve a expressão no rosto até entrar na sala de imprensa. Teria sido o momento mais feliz de sua jovem carreira no tênis profissional?
- Talvez, pode ser. Já tive bastantes dias assim. Há duas semanas, em Kitzbuhel, foi uma das mais felizes. Cheguei à semifinal, ganhei do (espanhol Pablo) Andujar. Ali também foi uma emoção fora do normal. Hoje também, com certeza, vai marcar pro resto da minha carreira. Primeira vez que vou jogar um Grand Slam, primeira vez que vou jogar cinco sets.
A conquista em Nova York não era exatamente a mais esperada por Feijão. O paulista acreditava em estrear num Grand Slam alguns meses atrás, em Roland Garros. Na época, ele vinha de um vice-campeonato no Challenger de Zagreb, cheio de confiança. O revés deixou um gosto amargo que demorou a passar.
- Este ano foi o que eu achei que estava mais preparado para passar o quali (em Roland Garros). Ter perdido naquele quali foi uma frustração bem grande, que me durou uns dias. Vim de uma semana de final de Zagreb, cheguei cansado. Consegui ganhar a primeira rodada, descansei, mas me faltou um pouquinho de gás na segunda rodada. Mas era o que eu queria mais e foi o que eu mais me frustrei. E aqui (em Nova York) eu nunca tinha ganhado um set. Foi a quarta vez que eu joguei aqui no US Open. Perdi as três vezes em dois sets.
Sorteio ajuda
Depois de fazer sua parte e vencer três jogos, João Souza ainda contou com uma pitada de sorte na chave principal. Sua estreia será contra o americano Robby Ginepri, ex-top 20 que amarga a 358ª colocação no ranking mundial. Hoje com 28, o tenista da casa precisou ganhar um convite da organização para disputar o US Open.
Ginepri, no entanto, ainda não brilhou este ano. Em seis torneios disputados, só conseguiu boa campanha no Challenger de Vancouver, no começo deste mês. Lá, foi até a final, mas acabou com o vice. No Masters 1.000 de Cincinnati, há pouco mais de uma semana, o americano foi eliminado na estreia pelo compatriota Alex Bogomolov: 6/4 e 6/3.
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